Sunday, July 15, 2007

ZAGOR #3


Título: ZAGOR #3 (Vecchi) – Revista mensal;

Autores: Guido Nolitta (roteiro) e Gallieno Ferri (desenhos e capa);

Preço: Cr$ 10, 00;

Número de Páginas: 116;

Data de Lançamento: Outubro de 1978;

Sinopse: Indian Circus – Por onde passa, o espetáculo ambulante do Indian Circus chama atenção de todos com a exibição do seu exótico zoológico... Um zoológico humano!

Guiados pelo cruel “Colecionador”, os homens do Indian Circus atravessam toda a América do Norte para capturar índios das mais diversas tribos e, com métodos de implacável violência, tomar sua dignidade, dobrá-los a sua vontade e obrigá-los a participar da sua desumana apresentação.

Porém, quando a caravana do Indian Circus chega a Darkwood, Zagor, o Espírito da Machadinha, em breve entra em ação, dessa vez em uma corajosa luta pela liberdade e dignidade humana.

Positivo/Negativo: No terceiro número de Zagor no Brasil, a Editora Vecchi apresenta uma história que, ainda que curta, é uma das mais clássicas e dramáticas do Espírito da Machadinha.

Desde o início, quando criado por Guido Nolitta e Gallieno Ferri, Zagor foi um herói de caráter humanitário, portador de uma mensagem de justiça e igualdade entre povos e raças. Com isso, o argumento desta trama é perfeito para se desenvolver uma épica aventura do Rei de Darkwood, chance que não é desperdiçada pelo mais que competente roteirista que é Nolitta.

Guido Nolitta (pseudônimo que Sergio Bonelli usa ao atuar como roteirista) foi e é um dos melhores escritores da Sergio Bonelli Editore, assinando algumas das mais memoráveis histórias da Editora italiana e criando diversos personagens inesquecíveis, como Mister No e o próprio Zagor. Aqui ele dá mais uma prova de seu valor: mesmo preso a um número limitado de páginas, desenvolve uma aventura bem trabalhada, envolvente, divertida, dramática e que trata muito bem da sua temática, a crueldade dos brancos sobre os índios.

O vilão da vez, o arrogante “Colecionador”, sintetiza toda a prepotência de algumas pessoas que tendem a se julgar superiores e “civilizados” e por isso tem poder sobre a vida e a dignidade daqueles que julgam inferiores. As violências perpetradas pelo vilão são revoltantes, e nos dão a mesma indignação que Zagor e Chico sentem ao assistirem o “espetáculo” do Indian Circus. O final da aventura e o belo discurso do Espírito da Machadinha são, então, emocionantes, e nos enchem com a satisfação de poder ter lido tão bom trabalho da dupla Nolitta & Ferri.

Com o espaço curto, é óbvio que Nolitta não pôde dar o espaço costumeiro ao humor do Chico, mas, mesmo assim, para a nossa sorte, o roteirista reserva algumas páginas para as piadas protagonizadas pelo rechonchudo mexicano.

Também nos desenho a edição se destaca. Gallieno Ferri estava no seu auge, com o traço firme, detalhado e limpo, com bonitas caracterizações e construções de movimentos. Um dos melhores trabalhos desse mestre italiano. A capa da edição também é muito bela, mesmo sendo simples.

Originalmente, Indian Circus foi publicada no número 84 da série normal italiana de Zagor, e não no P&B tradicional: foi uma edição especial à cores. Normalmente, na Sergio Bonelli Editore, histórias coloridas são reservadas para os números múltiplos de 100 ou para comemorar mais uma década de vida editorial de alguma série. O caso de Indian Circus foi quase uma exceção, um álbum à cores feito como uma espécie de presente aos leitores (outro álbum do tipo foi o recente Dylan Dog italiano 224, também um “presente à cores”).

Concluindo, uma aventura concisa, divertida e épica, que é, aliás, uma boa introdução ao universo do Rei de Darkwood, para aqueles que ainda não o conhecem.

Monday, July 09, 2007

ZAGOR #75


Título: ZAGOR # 75 (Mythos) – Revista mensal;

Autores: Luigi Mignacco (roteiro), Massimo Pesce (desenhos) e Gallieno Ferri (capa);

Preço: R$ 6, 90;

Número de Páginas: 100;

Data de Lançamento: Junho de 2007;

Sinopse: A Escolta Mohawk – Marcus e Helena, acompanhados do negro Jatir, apresentam-se como aristocratas europeus, um status que definitivamente parece ser confirmado pela opulência da carruagem em que eles viajam através das florestas de Darkwood. Porém, a sua escolta de índios mohawk é massacrada misteriosamente e o Major Kroeber e o Tenente Pessoa, vindos do Brasil, entram no jogo, revelando tudo sobre Marcus, Helena e Jatir. Mas... Será a sua história realmente verdade?

Positivo/Negativo: A aventura desse Zagor 75 se destaca por dois motivos: primeiro, é a estréia do roteirista Luigi Mignacco nas páginas de Zagor (ainda que outra história sua já tenha sido publicada aqui no Brasil, no Zagor Extra #21) e, segundo, traz diversas personagens vindas do Sertão brasileiro.

Isso não é surpresa, visto que Mignacco também é roteirista do simpático piloto Mister No (criado pelo mesmo idealizador de Zagor, Sergio “Guido Nolitta” Bonelli), cujo território de ação e cenário da maior parte das aventuras é o Brasil, daí sua familiaridade com o nosso país. Inclusive, ele já está escrevendo uma história em que o Rei de Darkwood visita pessoalmente as Terras Tupiniquins.

Para sua primeira aventura zagoriana, Mignacco vai bem. Seu texto se revela rápido e os diálogos, fluentes, em uma narrativa agradável, auxiliada pelos desenhos de Massimo Pesce. Com base apenas nessa edição, fica ainda difícil distinguir os aliados dos inimigos, o que deixa as coisas até mais interessantes.

Aliás, não seria de espantar se, com exceção de Zagor, Chico, Tonka e seus índios, não houvesse heróis. Mas isso não passam de conjecturas, e nos resta apenas esperar a próxima edição para ver o final da trama.

Continuando os comentários sobre o roteiro de Mignacco, deve-se notar que a participação de Chico se mostra ligeiramente maior, sendo ele até mais ativo, um pouco diferente do bufão preguiçoso que vemos em outras histórias. Ele chega até mesmo a se entediar por ficar sem fazer nada. Claro que isso não elimina sua comicidade (ainda que seja o humor verbal, e não o físico que no passado o caracterizava), vide a página em que ele se imagina visitando as mais ricas cortes européias ou quando compõe uma canção em homenagem ao Espírito da Machadinha.

Pesce desenha a edição, e o faz com competência e qualidade. Seu estilo moderno e dinâmico dá vida ao roteiro e às personagens, denotando-se a enérgica figura do Senhor de Darkwood. A vitalidade do seu traço lembra vagamente a arte de Mauro Laurenti, porém seu estilo é bem mais limpo do que aquele carregado de Laurenti.

Destaca-se a seqüência em que Zagor tem de enfrentar a capoeira do negro Jatir, que, como o próprio Espírito da Machadinha define, “boxeia com os pés”.

Thursday, July 05, 2007

DYLAN DOG #37


Título: DYLAN DOG #37 (Mythos) – Revista mensal;

Autores: Claudio Chiaverotti (roteiro), Pietro Dall’Agnol (desenhos) e Angelo Stano (capa);

Preço: R$ 7, 50;

Número de Páginas: 100;

Data de Lançamento: Novembro de 2005;

Sinopse: O Duende – Uma série de sangrentos homicídios e... Um duende. O lendário Homúnculo de Paracelso existe, ou poderia existir, de verdade? Existe mesmo um gnomo criado por artes mágicas, um ser maligno e assassino? Para Dylan Dog, são novas perguntas, novos mistérios... E um novo e mortal pesadelo!

Positivo/Negativo: Uma das últimas edições de Dylan Dog publicadas pela Mythos, nesse número 37 temos uma sólida história que mistura alquimia, duendes, um estranho serial killer e, por conseqüência do item anterior, horror gore.

O roteiro de Claudio Chiaverotti combina satisfatoriamente esses elementos na trama que, absolutamente, diverte. Chiaverotti desenvolve os acontecimento e constrói a investigação para, próximo ao final, criar uma grande reviravolta e adicionar mais um elemento à história: a crítica social, esta feita com propriedade e bem encaixada a Dylan Dog, visto seu caráter. Qual crítica é feita, cabe ao leitor descobrir por si mesmo.

Os desenhos saem da pena de Pietro Dall’Agnol, artista competente na retratação das cenas e cujo traço espesso e fluido (à moda de alguns outros desenhistas de DYD) combina com a atmosfera incerta e violenta da trama.

A capa de Angelo Stano, a sua terceira para a série normal na Itália, ficou muito bonita e bem feita, sendo relacionada ao roteiro sem, no entanto, revelar dele mais do que o suficiente para interessar o leitor.

No mais, Groucho de língua mais afiada do que nunca, Dylan simpático como sempre e um final sinistro e sangrento.

Vale citar também que foi a partir desse número que o preço do gibi subiu para R$ 7, 50, devido aos baixos números das vendas, como explica o editorial. A mais de um ano do cancelamento da revista, fica claro que a decisão tomada pela Mythos não foi muito acertada.

Saturday, June 09, 2007

ZAGOR EXTRA #38


Título: ZAGOR EXTRA # 38 (Mythos) – Revista mensal;

Autores: Moreno Burattini (roteiro), Franco Donatelli (desenhos) e Gallieno Ferri (capa);

Preço: R$ 6, 90;

Número de Páginas: 100;

Data de Lançamento: Abril de 2007;

Sinopse: A Fazenda Assediada – Na pequena fazenda dos Kindman, onde o jovem Steve vive com seus pais adotivos, tudo vai de mal a pior. Enquanto isso, o pai biológico de Steve, junto com Zagor e Chico estão sendo caçados na pradaria pelos ferozes guerreiros de Okayo. O epílogo da tragédia será escrito com sangue na Fazenda Assediada!

Positivo/Negativo: Marcando o fim da segunda Odisséia Americana, (já na próxima edição, teremos Zagor de volta à Darkwood, com o retorno de um antigo e perigoso inimigo), como é anunciado no “Notícias de Darkwood”, Zagor Extra 38 tem uma bem-feita aventura, que, além de ação, revela-se como uma trama, mesmo que pouco original, interessante, com reviravoltas dignas de uma história policial.

A comparação não é nem um pouco fora de contexto, pois Burattini retoma aqui a temática policial (que parece lhe ser cara), organizando um mistério que só se revela totalmente nos momentos finais, graças à perspicácia e inteligência do Espírito da Machadinha, que nota detalhes que para a maioria passam despercebidos. E, antes do desfecho, muita ação, como no número anterior, e mistério.

Donatelli continua com a mesma competência da edição anterior; a arte não é genial e nem sofisticada, mas é bonita e eficiente no desenvolvimento da narrativa. Quem gosta do estilo dos desenhistas antigos, decerto apreciará o trabalho de Franco Donatelli.

A capa de Ferri é uma das mais bonitas dos últimos meses, mas foi um pouco cortada na passagem para o visual de Zagor Extra, em formatinho.

Thursday, June 07, 2007

ZAGOR EXTRA #37


Título: ZAGOR EXTRA # 37 (Mythos) – Revista mensal;

Autores: Moreno Burattini (roteiro), Franco Donatelli (desenhos) e Gallieno Ferri (capa);

Preço: R$ 6, 90;

Número de Páginas: 100;

Data de Lançamento: Março de 2007;

Sinopse: O Filho Perdido – Um esqueleto achado na pradaria, um bando de índios fora-da-lei, um rapaz com uma curiosa anomalia física: todos indícios para reconstruir um massacre esquecido. Zagor e Chico unem-se ao senhor Howard, um pai que há dez anos busca seu “Filho Perdido”.

Positivo/Negativo: Na última história da segunda Odisséia Americana, saga que Zagor vem vivendo desde o número 11 de Zagor Extra (com exceção das edições, 21 e 32), que precede seu retorno à Darkwood, Burattini apresenta uma aventura em que sobra ação, ainda que, ao menos aparentemente, lhe falte algo de mais original.

Os desenhos são de Franco Donatelli que, ao lado de Gallieno Ferri, é um dos mais clássicos artistas do Espírito da Machadinha, e há muito não mais visto em suas páginas. Diga-se de passagem, essa foi a sua última história completa, pois na seguinte, seu trabalho teve de ser completado por outro desenhista (como somos informados pelo sempre interessante editorial). Não que seu trabalho fosse um primor – na verdade, não tem a mesma competência e beleza da arte do inesquecível Ferri – mas seu estilo limpo é inegavelmente agradável e faz a leitura fluir facilmente.

Para os leitores mais antigos será nostálgico rever sua arte em uma aventura inédita, enquanto para os mais novos, uma oportunidade de conhecer a obra deste autor, tão importante para o Rei de Darkwood.

Sobre o roteiro, como já foi dito, não tem nada de especial, mas, com ainda mais uma edição pela frente, muita coisa pode acontecer. Resta esperar e se deixar levar pela narrativa e pelas seqüências de ação.

Saturday, May 26, 2007

ZAGOR GIGANTE #500


Título: ZAGOR GIGANTE #500 (Sergio Bonelli Editore) – Material importado;

Autores: Moreno Burattini (roteiro) e Gallieno Ferri (desenhos e capa);

Preço: € 2, 50;

Número de Páginas: 116;

Data de Lançamento: Março de 2007;

Sinopse: Magia Indiana – Um antigo inimigo dado como morto que volta para se vingar! Na noite de uma reunião de chefes indígenas, um sinal: a lança quebrada, símbolo índio da vingança! O Espírito da Machadinha deve enfrentar uma das provas mais terríveis de sua vida, lutando contra um adversário decidido a matá-lo!

Positivo/Negativo:Pleasant Point, um pequeno grupo de barracões, etapa obrigatória para todas as expedições que percorrem o rio dirigindo-se a Forte Henry e a Forte Pitt”. Com esse pequeno texto, iniciava a saga de um dos maiores e mais queridos heróis que os Quadrinhos já viram.

E quem poderia imaginar? Quem diria que aquele gibizinho, lançado nas bancas italianas em 15 de junho de 1961, trazendo na capa um estranho tipo, atlético e imponente, de camisa vermelha, mais tarde se tornaria uma série que hoje dura mais de 45 anos, o segundo mais longevo fumetto da Velha Bota, alcançando a invejável marca de 500 números publicados?

Como já é tradição para os números “centenários” de Zagor, uma edição totalmente a cores, com a arte do mestre Gallieno Ferri, e, dessa vez, com o roteiro nas mãos de Moreno Burattini, atualmente o principal escritor do Rei de Darkwood, que aqui mostra todo o seu espírito de fã zagoriano, criando uma verdadeira “história-homenagem” a todos os anos de aventura vivenciados pela personagem.

O termo “história-homenagem” não poderia ser melhor. Desde a passagem inicial, com a entrada de impacto do Espírito da Machadinha diante dos chefes indígenas, elemento há tempos desaparecido, passando pela aparição de diversos coadjuvantes antigos e clássicos, até a identidade do vilão, só revelada na reta final da trama, a aventura toda é uma respeitosa homenagem de Burattini – que, antes de roteirista, é um leitor – a Zagor e a seu passado, reverenciando todos os autores que o precederam.

Isso é bem explícito justamente pela volta de tantas personagens antigas: o leitor atento notará que cada vilão de Magia Indiana (ou a maior parte deles) foi criado por um autor diferente do Senhor de Darkwood, inclusive no caso do inimigo principal. Não convém, no entanto, aqui dizer quais são esses vilões e seus autores, para evitar estragar o prazer dos zagorianos na leitura, especialmente sendo esta uma história ainda inédita no Brasil.

Com tantas referências, Burattini poderia muito bem tornar inacessível a história para os leitores menos versados no universo do Espírito da Machadinha, porém, ele consegue, brilhantemente, desenvolver uma trama que além de ser uma ode ao passado, é também capaz de chamar a atenção de novos e jovens leitores, com seu ritmo dinâmico e veloz e chamativas cores.

Claro que a qualidade da história não é mérito apenas de Burattini, ao contrário. Quem também merece destaque é Gallieno Ferri, o criador gráfico de Zagor, um desenhista de traço elegante cuja arte ficou ainda mais bela e interessante graças à ótima colorização feita. Só a capa já seria digna de nota e elogios, mas também no decorrer da aventura o artista mostra sua competência. E, no que talvez seja um recorde inédito, desenha nada menos que a sua 500º capa para o Rei de Darkwood, com certeza um número espantoso, mais ainda considerando a grande quantidade de histórias por ele desenhadas.

Uma edição que, de tão bonita, é um verdadeiro presente da Sergio Bonelli Editore aos seus fiéis leitores. A nós, brasileiros, só resta continuar a apoiar as publicações zagorianas, esperando que, daqui a uns meses, a Mythos possa nos brindar com um Zagor 100 tupiniquim tão belo quanto foi esse Zagor 500 italiano.

Destaque para o último quadro da página 44, onde vemos uma curiosa homenagem à capa da primeira edição em tiras do Espírito da Machadinha.

Friday, May 11, 2007

ZAGOR ESPECIAL #5


Título: ZAGOR ESPECIAL # 5 (Mythos) – Revista sem periodicidade regular;

Autores: Moreno Burattini (roteiro) e Gallieno Ferri (desenhos e capa);

Preço: R$ 17,90;

Número de Páginas: 276;

Data de Lançamento: Março de 2006;

Sinopse: No sul do lago Ontario, onde o frio é intenso, a neve cai copiosa e os lobos rondam famintos, Zagor e Chico encontram os cadáveres de quatro garimpeiros, mortos por tiros de um rifle antigo.

Com o diário de um deles, o Rei de Darkwood descobre que esses desventurados haviam encontrado uma mina de ouro em pleno território indígena.

Nessa atmosfera de mistério e morte, entre a constante ameaça natural e perigos de duas pernas, segue-se uma emocionante perseguição no gelo na qual, mais difícil que impedir que mais crimes ocorram, é descobrir quem os comete!

Positivo/Negativo: Um clássico. Lançada em 1993 na Itália, O Homem do Rifle foi a décima primeira história de Zagor escrita por Moreno Burattini e uma das mais elogiadas, sendo considerada pelo próprio autor aquela com a qual ele atingiu sua maturidade como roteirista. Mais de dez anos após sua publicação original, O Homem do Rifle finalmente sai no Brasil, pela Mythos Editora, no Zagor Especial 5, publicado no início de 2006.

Para uma história desse calibre, um Zagor Especial de fato especial: além de ter sido lançado no início do ano e não no final, como antes era costume, a revista conta com um editorial, uma longa e interessante análise da aventura (ambos por Júlio Schneider) e, o melhor, um artigo exclusivo do próprio Moreno Burattini, escritor da história.

Esse carinho de Burattini pela aventura não é sem motivo. Com efeito, O Homem do Rifle é considerada por muitos leitores a melhor de suas histórias. E isso, diga-se de passagem, não é pouco.

Ao lado de Mauro Boselli, Moreno Burattini foi responsável por um novo rumo para Zagor, salvando a revista do risco de cancelamento. Hoje, Moreno é editor do Espírito da Machadinha na Itália e um dos seus principais roteiristas.

Mas o que há de tão especial na história? No fundo, é uma trama policial, centrada na busca pelo culpado dos crimes citados na sinopse, engendrada com muita competência. Entretanto, O Homem do Rifle é mais que isso. É uma aventura épica, de narrativa envolvente, atmosfera dramática e personagens ricos e cativantes. Um roteiro desenvolvido pacientemente e de modo brilhante, carregado de um suspense que tende a cada vez mais prender o leitor.

Como palco, a natureza furiosa e os territórios inóspitos por onde passam os personagens se mostram uma escolha muito acertada, oferecendo diversos perigos e obstáculos a serem atravessados.

Em um clima pouco maniqueísta, Burattini consegue ainda destacar a força do caráter de Zagor, com a mesma nobreza de coração e espírito humanista que possuía nas mãos de Guido Nolitta.

Apesar de um tanto apagado, Chico tem espaço na aventura, com o seu característico humor, visual e verbal. É uma participação pequena, sim, mas agradável e divertida.

Através de sua arte, Ferri trabalha com esses elementos com muita precisão, dando a dramaticidade ou dinamicidade necessárias para a fluência da narrativa. Os personagens são trabalhados por ele com igual eficiência. Vide o seu Zagor, sem dúvida àquele que melhor retrata o personagem querido por seus leitores.

A se criticar na publicação, apenas o preço: para um gibi em formatinho e P&B, R$ 17,90 é um absurdo. Porém, com uma história de rara qualidade, é uma HQ que merece ser adquirida, mesmo tão cara.