
Título: ZAGOR #3 (Vecchi) – Revista mensal;
Autores: Guido Nolitta (roteiro) e Gallieno Ferri (desenhos e capa);
Preço: Cr$ 10, 00;
Número de Páginas: 116;
Data de Lançamento: Outubro de 1978;
Sinopse: Indian Circus – Por onde passa, o espetáculo ambulante do Indian Circus chama atenção de todos com a exibição do seu exótico zoológico... Um zoológico humano!
Guiados pelo cruel “Colecionador”, os homens do Indian Circus atravessam toda a América do Norte para capturar índios das mais diversas tribos e, com métodos de implacável violência, tomar sua dignidade, dobrá-los a sua vontade e obrigá-los a participar da sua desumana apresentação.
Porém, quando a caravana do Indian Circus chega a Darkwood, Zagor, o Espírito da Machadinha, em breve entra em ação, dessa vez em uma corajosa luta pela liberdade e dignidade humana.
Positivo/Negativo: No terceiro número de Zagor no Brasil, a Editora Vecchi apresenta uma história que, ainda que curta, é uma das mais clássicas e dramáticas do Espírito da Machadinha.
Desde o início, quando criado por Guido Nolitta e Gallieno Ferri, Zagor foi um herói de caráter humanitário, portador de uma mensagem de justiça e igualdade entre povos e raças. Com isso, o argumento desta trama é perfeito para se desenvolver uma épica aventura do Rei de Darkwood, chance que não é desperdiçada pelo mais que competente roteirista que é Nolitta.
Guido Nolitta (pseudônimo que Sergio Bonelli usa ao atuar como roteirista) foi e é um dos melhores escritores da Sergio Bonelli Editore, assinando algumas das mais memoráveis histórias da Editora italiana e criando diversos personagens inesquecíveis, como Mister No e o próprio Zagor. Aqui ele dá mais uma prova de seu valor: mesmo preso a um número limitado de páginas, desenvolve uma aventura bem trabalhada, envolvente, divertida, dramática e que trata muito bem da sua temática, a crueldade dos brancos sobre os índios.
O vilão da vez, o arrogante “Colecionador”, sintetiza toda a prepotência de algumas pessoas que tendem a se julgar superiores e “civilizados” e por isso tem poder sobre a vida e a dignidade daqueles que julgam inferiores. As violências perpetradas pelo vilão são revoltantes, e nos dão a mesma indignação que Zagor e Chico sentem ao assistirem o “espetáculo” do Indian Circus. O final da aventura e o belo discurso do Espírito da Machadinha são, então, emocionantes, e nos enchem com a satisfação de poder ter lido tão bom trabalho da dupla Nolitta & Ferri.
Com o espaço curto, é óbvio que Nolitta não pôde dar o espaço costumeiro ao humor do Chico, mas, mesmo assim, para a nossa sorte, o roteirista reserva algumas páginas para as piadas protagonizadas pelo rechonchudo mexicano.
Também nos desenho a edição se destaca. Gallieno Ferri estava no seu auge, com o traço firme, detalhado e limpo, com bonitas caracterizações e construções de movimentos. Um dos melhores trabalhos desse mestre italiano. A capa da edição também é muito bela, mesmo sendo simples.
Originalmente, Indian Circus foi publicada no número 84 da série normal italiana de Zagor, e não no P&B tradicional: foi uma edição especial à cores. Normalmente, na Sergio Bonelli Editore, histórias coloridas são reservadas para os números múltiplos de 100 ou para comemorar mais uma década de vida editorial de alguma série. O caso de Indian Circus foi quase uma exceção, um álbum à cores feito como uma espécie de presente aos leitores (outro álbum do tipo foi o recente Dylan Dog italiano 224, também um “presente à cores”).
Concluindo, uma aventura concisa, divertida e épica, que é, aliás, uma boa introdução ao universo do Rei de Darkwood, para aqueles que ainda não o conhecem.





